O Sindicalismo Alternativo Europeu Está Bem Vivo !

Reportagem da conferência do 24/04/04, n'A BATALHA, Lisboa

di Manuel Baptista

A sessão, realizada no Centro de Estudos Libertários (redacção

de "A Batalha") contou com mais de 20 pessoas na assistência,

de variados sectores de actividade e de variadas idades.Os

diferentes oradores (Davide Rossi, Angel Bosqued, António

Marruecos e

Paulo Ambrósio) fizeram pequenas exposições sobre a temática do

sindicalismo de base e alternativo, havendo no fim de cada

intervenção um período de debate.

O tema da apresentação da FESAL-E (Federação Europeia de

Sindicalismo Alternativo- Educação; 1), ficou a cargo de Davide

Rossi ( membro do sindicato de

base italiano UNICOBAS-ALTRASCUOLA; 2).

Davide explicou que os trabalhadores precisavam de uma

alternativa real e europeia ao "sindicalismo de concertação"

praticado pela CES (Confederação Europeia de Sindicatos) e

poderem exprimir-se também ao nível europeu outras correntes,

não apenas as que integravam a CES. Uma sociedade europeia

democrática é inconcebível que se satisfaça com a existência de

uma central única europeia, sendo tal situação característica de

regimes

totalitários.Os sindicatos e tendências sindicais que têm

participado nos encontros de sindicalismo alternativo europeu (o

próximo terá lugar em Outubro em Milão) agruparam-se em torno de

documentos guia, de análises e de propostas de trabalho

concretas para os diversos sectores e ramos de actividade (3).

No sector da educação, devido à importância do mesmo em termos

de

influência em toda a sociedade, o processo federativo está mais

aprofundado, tendo como base as Declarações de Granada de 1998 e

de 2002(1).

Em Outubro passado, em Barcelona, decidiu-se sobre a

regularidade anual de Encontros Europeus de Sindicalismo

Alternativo e em Setembro de 2003, em Berlim, decidiu-se avançar

com o processo de constituição da FESAL-E, aquando do Fórum

Social da Educação (o qual é totalmente independente do Fórum

Social Europeu, o que permitiu um envolvimento muito directo dos

sindicalistas alternativos em todas as fases preparatórias e no

próprio

conteúdo do mesmo).

A FESAL-E não aceita a tutela de partidos políticos, coloca-se

numa perspectiva claramente anti-capitalista, denunciando a

forma como os poderes políticos e económicos dominantes da UE

tentam impor o conceito da educação como "serviço" e a sua

mercantilização. Também recusa o corporativismo expresso em

sindicatos profissionais estreitamente vinculados a obter certas

vantagens para determinados grupos e categorias profissionais.

A FESAL-E não é constituída meramente por Sindicatos e

Confederações Sindicais do Ramo da Educação, mas também por

Grupos de Activistas Sindicais de Base, que intervêm em

sindicatos burocráticos, Associações (Sindicatos) Estudantis ou

Grupos de Defesa da Escola Pública, que englobam não apenas

profissionais do Ensino, mas também estudantes, pais e

cidadãos/cidadãs interessados/as em ter parte activa neste

combate.

Angel Bosqued, do Secretariado Internacional da CGT-Espanha (4),

traçou uma panorâmica das lutas contra a privatização e contra a

precariedade, tendo apontado a existência de convergências

fortes noutros sectores além do da Educação. Por exemplo, a

reivindicação europeia por Caminhos de Ferro, públicos, de

qualidade, contra os processos de privatização em curso e as

consequências não apenas para os seus trabalhadores, mas para a

população trabalhadora em geral, que foi protagonizada por

greves e movimentos reivindicativos do Sindicalismo Alternativo.

António Marruecos, da Federação do Ensino da CGT, do Sindicato

de Granada, explicou quais eram as linhas-força saídas do

Congresso da Federação do Ensino da CGT, que se realizou em

Madrid, em Janeiro passado (5). Dessas conclusões, enfatizou a

importância atribuída à constituição da FESAL, processo ao qual

estava associada desde o início, assim como citou, a título de

exemplo de campanhas que a CGT tem levado a cabo no Sector

Educação, a defesa de um ensino laico, ou seja, das escolas

públicas livres da influência da igreja, campanha essa bastante

abrangente e de que

pretende não reivindicar o exclusivo para a CGT, mas pelo

contrário, junt@s nas escolas com tod@s @s defensor@s de

posições laicas.Paulo Ambrósio, membro da Comissão de

desempregados do SPGL -FENPROF (Sindicato dos Professores da

Grande Lisboa- Federação Nacional de Professores), deu conta das

discriminações a que estão sujeitos os docentes, pela política

dos governos, mantendo muitos docentes na precariedade ao longo

de muitos anos, explicou a importância que teve uma prática

sindical combativa - não enfeudada às direcções sindicais

burocráticas - para a obtenção do subsídio de desemprego para os

docentes (há apenas três anos) e concluiu a sua intervenção

dando exemplos de repressão e de intimidação que se abate sobre

os sindicalistas independentes e mais combativos, não apenas por

parte dos governo e patronato, como até por parte de certas

direcções sindicais.

No final, ficou a certeza de que este encontro foi muito

positivo pelas perspectivas que abria e que deveria ser

aprofundada a reflexão com vista à acção entre @s divers@s

sindicalistas e activistas presentes e com outr@s, que, por

motivos diversos, não puderam participar nesta sessão mas que

têm acompanhado todo este processo com interesse. Propôs-se a

realização de uma reunião para os finais de Maio (talvez Sábado

29).

Vários dos presentes participaram num animado (e saboroso)

jantar de confraternização após o encerramento dos debates.